Foto: SplitShire

Futurista Beia Carvalho fala sobre o trabalho remoto e a importância das gerações na concepção desse modelo

Uma chamada por Skype e está feita a conexão entre São Paulo e Curitiba. O dia, até então calmo, ganhou uma série de inquietações após alguns minutos de conversa. Afinal, será que o trabalho remoto vai mesmo dominar o mercado? Qual será seu futuro?

Foi com esses questionamentos que se seguiu uma conversa inspiradora por videoconferência, bem ao estilo ‘trabalho de qualquer lugar do mundo’, com Beia Carvalho, palestrante futurista e fundadora do Five Years From Now, que trata da transição para uma nova era, o que ocorre exatamente agora, em seu emprego, sua cidade, ou seu país.

Beia Carvalho é especialista em futuro e, além de palestrar, também utiliza seu canal no YouTube para dar dicas, como a recente série sobre home office / foto: Felipe Feca – divulgação

Embora o tema ‘teletrabalho‘ esteja em alta, é importante ressaltar por quais motivos ele segue em crescimento e como ele pode impactar no mercado.

“Acho que o negócio do home office está aí e veio para ficar. Por que? Porque ele satisfaz muitas necessidades e tem muitos benefícios.”

Segundo a futurista, essa atividade atende expectativas :

  • Individuais

O profissional gasta menos energia com o deslocamento até o escritório, por exemplo, além de se tornar mais produtivo e aderir a um estilo de vida mais flexível.

  • Empresariais

Aqui é possível considerar que determinadas atividades podem ser feitas de casa, sem gastar eletricidade, otimizando o espaço físico e motivando o colaborador com uma jornada também mais flexível.

  • Urbanas

A ausência de deslocamento impacta diretamente no fluxo do trânsito, principalmente nas grandes cidades como São Paulo.

Há ainda a questão do empreendedorismo, que está cada vez mais presente na sociedade. “Em uma era pós-industrial, em que cada vez mais um cidadão especialista em algo torna-se sua própria marca, não é preciso ter um lugar físico. Ele pode expressar isso no seu home office, ou no bar office, na padaria office, ou no coworking”, aponta Beia.

Essas são algumas das questões que permitem ao trabalho remoto, principalmente executado em casa, uma estimativa de vida longa. É importante lembrar que essa é uma tendência que se encaixa em determinados perfis de negócios.

“Se falarmos  que o home office vai ser 100% o futuro do trabalho, estaremos dizendo que nunca mais vamos trabalhar fisicamente juntos e que faremos tudo dentro da nossa casa, o que não é verdade.”

Beia reforça essa questão, pois, mesmo que seja uma ideia empolgante e que se trate de uma tendência, não são todos os profissionais que poderão usufruir dessa modalidade.

Há certas atividades, principalmente as industriais, que precisam de times de especialistas trabalhando juntos, em um mesmo espaço, em um projeto, ou para que se finalize um produto, ou até mesmo um serviço específico.

É uma questão de gerações

Para a palestrante, o trabalho molda a sociedade. Ela usa como exemplo a sociedade escravagista, em que as pessoas entendiam que trabalhar era algo somente para os escravos, os quais eram adquiridos como propriedade. Como se sabe, essa linha de pensamento guiou a história por muito tempo e acabou por refletir na cultura.

“Há toda uma relação social de como você, sua família e seu país prosperam a partir do ponto de vista de que o trabalho é realizado por escravos. A hora que se muda isso, se muda também a cultura”, explica.

O que existe hoje é uma mescla de gerações mais antigas com as chamadas Y e Z, que são conhecidas como não lineares, ou seja, que seguem o raciocínio de que é possível ter várias coisas ocorrendo ao mesmo tempo.

“As gerações mais velhas não acreditam que as mais novas consigam fazer tudo ao mesmo tempo. Elas veem e não acreditam.”

A flexibilidade e a versatilidade presente na forma de trabalho das gerações atuais se encaixam perfeitamente nas demandas do trabalho remoto, sendo esses alguns dos fatores que colaboram para essa tendência ser reforçada.

Inclusive, profissionais freelancers, que são uma parcela bastante representativa dentro do teletrabalho, já estão em ascensão e terão ainda mais destaque no futuro. Isso porque, como aponta a futurista, uma das profissões que devem ser mais requisitadas é a de especialista em montar equipes, alguém dedicado a encontrar trabalhadores qualificados, que estão no home office, para compor times para determinado projeto.

“São pessoas que sabem montar times para resolver problemas de uma indústria, de uma fabriqueta, de uma franquia de roupa, de um governo, etc. Essa é uma profissão do futuro que vai ser super bem remunerada.”

Muitos desses profissionais estão inseridos no mercado freelance e poderão ser bastante procurados. Então vale a pena ficar de olho nessa análise e garantir um lugar nesse futuro do trabalho remoto, que se aproxima cada vez mais da realidade dos brasileiros.

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